Foto: Wilrismar Holanda

A produtora Eunice Gonçalves Feitosa Alexandrino, 59 anos, é a primeira mulher a presidir da Cooperativa dos Produtores de Leite dos Inhamuns (Cotaleite). Ao participar da Expoece, em Fortaleza, ela foi entrevistada pelo Jornal Diário do Nordeste.

Confira a reportagem

Comercializar leite, queijo e manteiga é a especialidade de Eunice Gonçalves Feitosa Alexandrino, de 59 anos. Natural de Tauá, no Sertão dos Inhamuns, ela é uma das expositoras da 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece), a maior feira de agropecuária do Estado.

Esta é a 15ª participação de Eunice no evento e a segunda à frente da Cooperativa dos Produtores de Leite dos Inhamuns (Cotaleite). Eunice foi a primeira mulher a assumir a gestão da entidade desde a fundação, em 2009.

"Foi uma surpresa minha", confessou, em entrevista ao Diário do Nordeste. "Há muito tempo vendo produtos à base de leite. Mas, no ano passado, fui à reunião em que iam eleger um novo presidente", relata.  

Eunice não esconde a felicidade em comandar a cooperativa da qual o marido, já falecido, também fazia parte.

Por mais de 30 anos, eles venderam juntos o leite produzido em casa, mas a parceria foi interrompida quando o companheiro foi diagnosticado com câncer de pulmão, em 2019.

"De lá para cá, venho tentando seguir esse legado dele. É uma coisa que passa de geração a geração. Nossa família é toda do campo", destaca. 

Eunice encontrou forças no empreendedorismo

Desde a morte do marido, Eunice não deixou de trabalhar. Para ela, estar ocupada "alivia a mente" e a torna produtiva.

Ela não parou nem mesmo após descobrir um câncer de mama e, por recomendação médica, realizar uma mastectomia completa.

"Sou mulher rural. Vendo o que eu produzo. Antigamente, só cuidávamos da casa. Hoje, não. A mulher tem um espaço muito grande, e eu acredito que nós somos as melhores pessoas para cuidar da agricultura familiar", afirmo.

 

Além dos laticínios, Eunice também trabalha com galinha caipira. Segundo ela, o apoio de políticas públicas, como o Fundo Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fedaf), foi essencial para que desse início ao sonho de empreender.

Ela já conseguiu um crédito de R$ 30 mil para abrir o primeiro negócio e aguarda novos editais para começar a vender outros produtos, como nata e mel.

"Todos os meus produtos são regulamentados. A recepção da clientela é ótima. Não é à toa que estou na Expoece há 15 anos. Quem experimenta o que eu trago, gosta e volta para repetir", enfatiza.

Site: Diário do Nordeste

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