Antes de o fim da escala 6×1 ocupar o Congresso Nacional, os grandes jornais e as principais mesas de debate político brasileiro, existia uma indignação silenciosa compartilhada por milhões de trabalhadores exaustos. Para dar forma e vazão a essa revolta, o advogado cearense João Victor Félix redigiu o texto da petição pública que canalizou o clamor das ruas em uma cobrança institucional.

Com a recente promulgação da Emenda Constitucional que extingue a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, as assinaturas digitais colhidas pelo movimento viraram direito palpável. A nova legislação prevê o início da transição em dezembro de 2026, reduzindo a jornada máxima para 42 horas semanais e garantindo por lei dois dias de descanso. Em 14 meses, o limite final fixado na Constituição passará a ser de 40 horas semanais em escala 5x2.

As raízes no Ceará e a articulação no Rio

Natural de Fortaleza e criado no município de Tauá, no interior do Ceará, João Victor Félix vive no Rio de Janeiro há mais de dez anos. Amigo de Rick Azevedo — ex-balconista que fundou o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) no TikTok —, o advogado assumiu a coordenação nacional e jurídica do grupo no momento em que a indignação virtual precisava se transformar em proposição prática.

“Quando redigimos aquela petição, a ideia era simples: transformar uma dor que milhões de pessoas já sentiam em uma reivindicação concreta, que pudesse chegar ao Congresso. A gente sabia que não dava para continuar tratando a exaustão como se fosse normal”, recorda João Victor.

O abaixo-assinado virtual começou despretensioso na plataforma Petição Pública Brasil, ultrapassando rapidamente a impressionante marca de 3 milhões de assinaturas. Foi o empurrão necessário para pautar o Legislativo Federal, angariar o apoio de congressistas e quebrar a resistência de setores econômicos.

Orgulho das origens e os próximos passos

Apesar de residir em solo fluminense, João Victor mantém fortes laços com suas origens. Filho do subtenente Félix (morador de Beberibe) e de Erinalda Alves Félix, ele preserva conexões com os avós Francisco e Marina na Vila Castelo, em Tauá. É da vivência do interior ao cotidiano das metrópoles que o advogado extrai a certeza do impacto real da nova medida na vida das famílias.

A aprovação unânime no Senado Federal — com apenas um voto contrário — coroou uma trajetória que muitos analistas consideravam perdida. Para o cearense, contudo, a mudança no papel é apenas o primeiro passo.

“O fim da escala 6×1 não tem dono. É uma vitória da classe trabalhadora. Mas tenho muito orgulho de ter ajudado a escrever uma parte dessa história”, pondera o advogado. “O Movimento VAT continuará sendo canal de escuta, denúncia e mobilização. A mudança na Constituição é histórica, mas direito só existe de verdade quando chega na vida de quem está na ponta.”

A partir de agora, a prioridade máxima do grupo será a fiscalização rigorosa junto aos órgãos do Ministério do Trabalho e sindicatos, garantindo que as empresas cumpram o calendário de redução gradual e a implementação dos dois dias de folga sem realizar manobras de corte salarial.

 

 

 

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