Foto: Wilrismar Holanda

O motorista Leandro da Silva foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta quinta-feira (24), pelo crime de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) devido à morte de sete membros de time de basquete de Juazeiro do Norte, após o veículo que ele conduzia tombar.

O acidente aconteceu na madrugada de 15 de junho, quando o ônibus que transportava o grupo retornava de Sobral para Juazeiro do Norte. O veículo tombou na CE-187, em Tauá. Seis jogadores e um membro da comissão técnica morreram. Outras 31 pessoas ficaram feridas.

O Portal G1 não conseguiu encontrar a defesa de Leandro Silva. Em depoimento à Polícia Civil logo após o acidente, ele afirmou ter perdido o controle do veículo após tentar desviar de um animal que supostamente estaria na pista.

Na denúncia, a 1ª Promotoria de Tauá afirmou que Leandro Silva agiu com imprudência e utilizou manobras incompatíveis com a condução de um veículo voltado para o transporte coletivo de passageiros. 

"Na condição de motorista profissional responsável pela segurança de dezenas de passageiros, deixou de manter o domínio do veículo e de conduzi-lo com a atenção e os cuidados indispensáveis à segurança do trânsito, em inobservância do dever imposto pelo artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro, e, após a saída de pista, executou manobra brusca de retorno, incompatível com a condução segura de veículo de transporte coletivo de grande porte”, destacou a promotoria.

O Ministério Público também destaca que o laudo pericial apontou que a rodovia estava seca, em bom estado de conservação e sem buracos, com boa visibilidade, e que os sistemas de freio e de direção e os pneumáticos do ônibus não apresentavam problemas, do que conclui-se que o acidente decorreu "de desvio brusco efetuado pelo condutor". 

Versão do motorista

Em depoimento à Polícia Civil logo após o acidente, o motorista afirmou ter perdido o controle do veículo após tentar desviar de um animal que supostamente estaria na pista e puxou o veículo para o acostamento.

Neste momento, o eixo traseiro do ônibus teria ficado preso a uma estrutura na margem da rodovia. Ao tentar retornar à pista, o ônibus teria passado por um buraco, momento em que o motorista teria perdido o controle da direção e o veículo tombado.

Já a Polícia Civil afirmou que Leandro Silva conduziu o ônibus de maneira anormal, realizando "sucessivos deslocamentos laterais antes de perder o controle da direção". De acordo com a investigação, as mortes e os ferimentos teriam sido consequência, unicamente, da conduta do motorista.

Lesões corporais

No início do mês, a Polícia Civil indiciou Leandro pelo crime de homicídio culposo pelas sete mortes provocadas no acidente. O Ministério Público, portanto, manteve o entendimento da polícia e o denunciou pelo mesmo crime.

A Polícia Civil também denunciou o motorista pelo crime de lesão corporal devido aos ferimentos causados aos passageiros feridos. O MP, porém, optou por dividir o caso em dois processos - um para a denúncia de homicídio e outra para a denúncia de lesão, por isso ele não deve responder pelo segundo crime por ora. 

Além das sete mortes, 31 pessoas precisaram de atendimento médico após o acidente e foram encaminhadas para hospitais da região. O último sobrevivente do acidente, um jovem de 17 anos, só deixou o hospital no dia 30 de julho, 45 dias depois do tombamento.

Site: G1

 

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