
Publicação tenta transformar vítima em acusado
Uma publicação divulgada por um perfil sem identificação pública nas redes sociais passou a circular em Orós com acusações contra o deputado estadual Simão Pedro. O conteúdo usa tom sensacionalista, exibe a imagem do parlamentar com a palavra “acusado” e tenta associá-lo a uma suposta agressão ocorrida dentro de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Ceará.
A narrativa, no entanto, omite um ponto essencial da ação penal: Simão Pedro não figura como réu, denunciado ou investigado no processo. Conforme os elementos de uma Ação Penal em trâmite, o parlamentar e sua assessoria aparecem como vítimas de uma tentativa de extorsão.
O caso levou o Ministério Público a denunciar Paloma Gurgel de Oliveira Cerqueira Bandeira e Bárbara Pinheiro Souza por crimes como extorsão e organização criminosa, além de manter em investigação o esposo de Bárbara, o advogado Cristiano Sampaio.
A publicação anônima afirma que uma mulher teria sido ameaçada e agredida no gabinete do deputado. Porém, o material não apresenta prova conclusiva, não identifica responsável pela postagem, não traz assinatura jornalística e não esclarece ao público que o episódio citado está inserido em uma ação penal na qual o deputado é tratado como vítima.
De acordo com a ação penal, a investigação apura a cobrança de valores que somariam cerca de R$ 121,6 mil, acompanhada de graves ameaças. As ameaças, segundo a apuração, teriam sido direcionadas ao deputado, a integrantes de sua equipe e até a familiares. As mensagens intimidatórias são atribuídas à advogada Paloma Gurgel, enquanto Bárbara Pinheiro Souza aparece na denúncia como participante da dinâmica investigada.
O registro feito por Bárbara, usado pela publicação anônima para atacar o parlamentar, é contestado pela defesa institucional de Simão Pedro. A tese sustentada pelo deputado é que a acusação de agressão seria parte da estratégia de pressão contra ele, dentro do mesmo contexto que resultou na ação penal por extorsão.
A tentativa de apresentar Simão Pedro como “acusado”, sem explicar sua real posição jurídica no processo, altera a compreensão dos fatos e pode induzir a população ao erro. Até o momento, a ação penal não aponta o deputado como autor de crime. Ao contrário, ele é citado como vítima e noticiante dos fatos que deram origem à apuração.
A menção à Assembleia Legislativa do Ceará também exige responsabilidade. O fato de um episódio ter relação com o ambiente institucional da Casa Legislativa não autoriza, sem decisão judicial ou prova concreta, acusações contra o parlamentar ou contra o Poder Legislativo. A utilização do nome do Parlamento em uma publicação sem autoria identificada amplia o impacto político da narrativa e pode gerar constrangimento institucional indevido.
A assessoria de Simão Pedro informou que o deputado já está adotando todas as medidas legais cabíveis contra os responsáveis pela criação, divulgação e compartilhamento do conteúdo. A avaliação é de que houve disseminação de informação falsa, difamação e tentativa eleitoreira de causar constrangimento público ao parlamentar no município de Orós.
Em um cenário político marcado pela circulação rápida de conteúdos nas redes sociais, a checagem dos fatos é indispensável. Acusações graves não podem ser tratadas como verdade apenas porque foram publicadas em vídeo ou acompanhadas de montagem visual. No caso em questão, a informação objetiva da ação penal é que Simão Pedro aparece como vítima, não como acusado.
O espaço permanece aberto para manifestação das pessoas citadas.